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Esta noite eu tive um sonho maravilhoso!
Sonhei que vivia num país cheio de problemas sociais, corrupção, má distribuição de renda, injustiça social etc.
Um belo dia o povo se rebelou e foi às ruas, gritou, bradou e exigiu seus direitos. Pacificamente, os cidadãos tomaram os prédios públicos e, em coro, diziam frases que rimavam como Poesia, exigiam soluções e, aos poucos, os funcionários iam se unindo aos manifestantes e o movimento tomou grandes proporções.
Dirigiram-se, então, para as sedes dos jornais, televisões... E toda mídia foi tomada, mantendo-se o pacifismo. Lembravam Gandhi vencendo uma grande guerra.
Desta forma, todo este maravilhoso país mudou em questão de dias.
Os poucos políticos honestos daquele país, se uniram aos idealistas e sonhadores, que de tanto repetirem frases contundentes, os convenceram que tudo aquilo era possível.
Novas leis que igualavam os direitos foram aprovadas rapidamente e a justiça comum passou a julgar, sem protecionismo, os responsáveis por grandes escândalos, inclusive a autoridade maior - O Rei e seus discípulos desonestos que, imediatamente, foram presos e sentenciados, embora negassem tudo e insistissem em dizer que nada sabiam.
Aqueles que ficaram e assumiram a responsabilidade de dirigir aquele país, notaram que deviam dar continuidade a avalanche de mudanças, para melhor, e, sem resvalarem nos direitos de cada cidadão, passaram a legislar sob a égide da maior virtude humana - a honestidade.
As grandes empresas que participaram, como protagonistas, dos escândalos que assolavam o país, no passado recente, foram encampadas por comunidades formadas por pequenos empreendedores e se tornaram num exemplo de gestão voltada a justiça e inclusão social, com um aumento vertiginoso de produtividade, onde todos davam tudo de si para que aquele país ideal se tornasse a grande potência que seus habitantes miseráveis e explorados sempre sonharam e sabiam que era possível.
De repente, o sonho da população se tornou numa grande realidade.
Bem... Não sei se viveram felizes para sempre, porque tocou meu despertador e acordei para a minha realidade atual. Carreguei, durante todo o dia, uma pergunta que ainda ecoa em minha mente:
O país do meu sonho é o meu país?
Começo a acreditar que o país que vivo não é o meu país.
Isso mesmo!
Este não é o meu país!
Mas nada posso fazer, não é mesmo?
O jeito é continuar levando a vida driblando as dificuldades, fingindo que nada está acontecendo, porque penso que ninguém se uniria a mim numa revolução tão absurda.
Talvez por eu ser, apenas, um simples cidadão comum.
Esta é mais uma crônica da série: Crônicas de um cidadão comum - de Celso Brasil.
Até a próxima.
© Celso Brasil
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