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Não quero ser sobrevivente
desta humanidade sem alma,
deste mundo sem Pessoa,
com gente sem Bandeira e sem poesia,
que passa pela vida inteira
carente de realmente viver
Não quero ser sobrevivente de um mundo
onde os idosos não remoçaram
porque os réprobos do poder,
com sua alma encolhida, os ridicularizaram.
Doutos que pensam ser
pousam de guardiões da humanidade,
amparando-a com ações
que a colocam no ostracismo e na miséria.
Não quero ser sobrevivente
de um mundo onde predominam
a violência e a corrupção,
panos de fundo para encobrir
a incompetência e as falsas opiniões.
Não quero mais assistir crianças
nascendo nos morros, nas favelas,
cujo castigo é viver sem amor,
sem teto e sem abrigo
e, a cada dia, se multiplicam,
aos milhares,
qual mosquitos nos lixões.
Desconfio que estou cansando de viver,
que estou ficando careta
neste mundo maneta.
© Emilia Possidio
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