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Concreto
© Marly N. Brasiliense - Fale com a Autora

Na calçada úmida , semi- aleijado, a mão pedinte
Do homem maltratado, roga dinheiro...por caridade...
Jogado na frieza do cimento, no concreto, finge
Que inda há esperança para reaver felicidade!

Arrimada no muro escuro, sujo e mal arruinado 
Dois destroços se amparam no mesmo aniquilamento
O muro persiste, teima em ser...ainda vigoroso abraço 
Para a mulher, pele encarquilhada, perdida em lamentos. 

Derrocado cadavérico, colapsante corpo semi-sedentário 
Semicoberto por jornal e papelão, no banco de concreto
Numa letargia, sem reação, num sono interminável
Ninguém saberá quando não mais respira o espectro.

O moleque descalço, na minha frente, malabarista
Descamisado, expõe as costelas enfraquecidas 
Move hábil - malabares coloridos e lenhosos...

Eu concretizada dentro da lataria com janelas 
Vejo, sem reflexão, a malevolência da nova época
Com a alma concretada e também... meus olhos! 

© Marly N. Brasiliense

 

 

 

         

   

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