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A ti, Isabel!
(2 de Setembro de 2003)
Pouco passava já das duas horas
Naquela derradeira madrugada
Quando eu, desde há minutos, dormitava,
Esp´rançado nas “melhoras”
Que um pouco antes a enfermeira
À tua beira, Isabel, me anunciava...
Chamava-me então meu filho, à minha porta...
Com um pretexto que, da rua, em tom suave,
Até me chegou a convencer:
–“Que tinha um parto p´ra fazer, ainda demorado,
E vinha gastar tempo: – só um bocado!?...”
Mas, ao entrar, assim que abri a porta…
Olhei p´ra ele: – vi-o diferente!...
Eu não podia aceitar que estavas morta:
Que tinhas acabado de morrer!...
Porém... li nos olhos de meu filho, de repente,
Que algo de grave – e muito grave,
Ele tinha p´ra dizer!...
Mas... o longo e forte abraço que senti,
E as “pancadas” nas costas que me dera...
Eram o triste anúncio da Mãe que ele perdera,
Da Mulher e da Esposa que eu perdi!...
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