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Ibernise Morais

   

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PÓ... SOMENTE PÓ...
© Ibernise Morais

     

 

Na vida o início e o fim é pó...
Com isto, o ser vivente anda só...
É o inevitável que se agiganta,
E ante o homem se levanta...

Luta inglória que o sentido supera...
Num instante, tudo volta a ser terra...
Conflito solitário e desesperado
No qual, seguem os homens irmanados...

Formam um rebanho de condenados
Cumprindo sentença, isolados...
É mal irremediável... Amargura
Que o destino de todos costura...

Inconformados, buscam o progresso
E nada descobrem... Só insucesso...
A interrogação prossegue, persiste
Vida e morte em que consiste?

Será que há volta neste: Tudo é nada?
A vida é pra todos simples temporada?
Há um silêncio vítreo que é constante
E mantém este mistério, importante...

É um fato que não tem explicação,
Que ocupa os sentimentos, a emoção
E não há quem não comprove:
Pois, tudo que é vivo, morre...

Excerto do Poema PÓ... SOMENTE PÓ...*

Esta é uma questão muito antiga e motivou Filósofos, até mesmo, antes de Sócrates (Fragmentos de Heráclito e Parmênides _530 a.C - 460 a.C), da filosofia de Platão e de Aristóteles, e dos Gnósticos.Na modernidade vale lembrar Kierkegaard (1813-1855),quando estas discussões partem de questões do cotidiano em direção a universalidade. Em outra linha, F. Nietzsche (1844-1900), W. Dilthey (1833-1911), e o fundador da fenomenologia E. Hussel (1859-1938), todos influenciaram Heidegger (1889-1976), em “O Ser e o Tempo”: Para este, “... O homem está fora das coisas nunca sendo completamente absorvido por elas, mesmo não sendo nada, à parte delas...” Não é então ninguém em particular, é uma estrutura “o eles”. Estabelecendo um elo com Sartre em “ O Ser e o Nada”.
O poema, abre espaço para o fato que a sociedade tecnológica está colocando em cheque a humanidade, isto reflete na questão do Ser. Para que o homem saia da alienação e encontre sua forma mais autêntica. À luz de Heidegger, o homem desperta pra si mesmo, na angústia, que é sóbria... Nela todas as coisas em que o homem está mergulhado se afastam e ele se vê afundado em um NADA, em NENHUM lugar.
Em meio a tudo o homem paira isolado, neste vazio se depara com a incompletude de seu projeto de vida limitado pela morte que ele não pode evitar. Assim, também Jean Paul Sartre (1905-1980)considera "o eles" (Categoria abstrata)que reafirma o ser ao nível das idéias, ou seja a existência humana é resolvida no NADA e sua função niilizante...

Núcleo Temático Filosófico.
Ibernise M. Morais Silva. Indiara (GO)11.10.2006.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.

    

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