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Ibernise Morais

   

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A PROMESSA
© Ibernise Morais

     

 

Uma mulher, pra outra, vida foi viajar... 
Antes, ameaçou o marido e o fez jurar, 
Uma nova esposa nunca mais arranjar 
Sob pena de voltar pra lhe, atazanar... 

O homem cumprir a palavra, tentou, 
Mas logo por uma garota se apaixonou... 
E o tal espírito como prometeu, voltou... 
Dele tudo sabia e ele nada lhe contou... 

Vivia assustado, a imagem o acusava, 
Tudo sabia, seus segredos adivinhava... 
Foi ao padre falar o que o martirizava, 
Este, sábio, o aconselhou como ansiava... 

Logo pegou um punhado de feijão, 
Falou pro fantasma, mostrando a mão, 
Diz-me então aqui tem quantos grãos? 
E o fantasma, como ele, sabia não... 
Era tudo fruto de sua imaginação... 

Depois disso, a alma penada sumiu... 
Nunca mais apareceu, não mais insistiu... 
E assim o coitado, aliviado, descobriu 
Que não era real, o que nunca existiu... 
Assim, casar-se finalmente decidiu.

Excerto do Poema A PROMESSA*

Para Descartes, era tão importante compreender o real que escreveu o Cogito com um pé na fogueira e outro fora. Arriscou-se, em plena Inquisição, e se impôs como fundante da realidade moderna, colocando a psique (alma) no campo da metafísica e a natureza no campo da ciência. Sutilmente deu um “chega pra lá” no sagrado, que dominava o pensamento na época. A partir daí, a ciência já não ameaça mais a escolástica e segue seu próprio caminho. O grande lance é que o ser, deste pensador, é pensante, mas não é psicológico. Por isso ele funda o Método, para bem conduzir a razão. E no Cogito, explica , chega ao homem racional. A certeza da razão vem das idéias claras e distintas, que por sua vez leva a certeza da dúvida, ( posso duvidar de tudo, mesmo assim, posso ter certeza da minha possibilidade de duvidar) que conduz a primeira verdade “Penso logo, existo.” Nessa ótica, o conhecimento do real está no ceticismo e não na fé... Duvide para conhecer, duvide sempre... Nossa personagem recorre ao artifício matemático, para duvidar de suas idéias, e assim consegue ver nova realidade, realça portanto a importância da dúvida no artificio do conhecimento. 


* Núcleo Temático Filosófico.
Ibernise M. Morais Silva. Indiara (GO), 25.11.2006.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998. 

    

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