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Ilda Brasil

   

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A Tempestade
© Ilda Brasil

     

 

A tempestade chegou, trazendo o horror 
para muitos. Alagou as ruas, provocando 
o caos no trânsito e só o mendigo 
permanecia indiferente à catástrofe,
deitado na calçada. 
O seu sono era tão profundo 
que a tempestade não o despertou. 
O volume e a fúria das águas impediram 
os pedestres de circularem pelas ruas. 
Apagou carros, no meio de pistas, 
gerando grande confusão. 
Transbordou bueiros, destruindo 
calçadas e asfaltos e, só o mendigo 
permanecia indiferente à catástrofe,
deitado na calçada. 
O seu sono era tão profundo 
que a tempestade não o despertou. 
O vendaval destelhou casas, 
deixando inúmeras famílias desabrigadas.
Derrubou árvores e postes de luz, 
expondo à população ao perigo, assim como
arrancou das mãos de uma senhora, 
a sua sombrinha, deixando-a furiosa
e, só o mendigo permanecia indiferente 
à catástrofe deitado na calçada. 
O seu sono era tão profundo que a tempestade 
não o despertou. Pobre homem! 
De tão acostumado a viver ao relento 
e a enfrentar muitos verãos, 
outonos, invernos e primaveras nas ruas, 
dormia tranqüilamente, jogado na calçada, 
sem se abalar com os estragos da tempestade. 

    

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