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Ao som de uma música, permito-me lembrar de situações gostosas e agradáveis de um passado longínquo.
Corro e brinco num imenso campo verde, onde há muitas flores coloridas, as quais brilham intensamente com a luz do sol. Em frente a casa, um lago e nesse uma pequena canoa que parece acompanhar o ritmo de uma música e a sorrir-me. Patinhos caminham, altivamente, à sua margem, e eu, em disparada, passo na ponte pênsil que balança loucamente, jogando-me de um lado ao outro. Grande sensação! Misto de aventura e perigo.
A peraltice foi uma habilidade que dominou a minha infância. Pular n’água para afugentar os patos, os marrecos e as garças fascinava-me tal qual colher frutos no alto de uma árvore. Eu vivia cheia de esfoliações no corpo, mas não me recordo de chorar ou reclamar das dores. Isso me impediria de ser criança! Eu queria curtir e eternizar todos os momentos.
A figueira sorria-me e, quando eu a abraçava, sentia-a como cúmplice de minhas artes. Ao ouvir a voz de um adulto a me chamar, protegia-me atrás de seu tronco e, quietinha, absorvia o seu doce perfume. Inúmeras vezes, fui encontrada adormecida a seu pé, repousando sobre suas folhas secas.
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