|
|
Sentadas nos degraus do velho casarão, curtíamos a noite, a qual era doce e suave. Soprava uma acolhedora brisa e o ar era puro e agradável. Conversávamos alegremente. Ora a pequenina falava, ora eu; ambas irradiando ternura, amor e docilidade. Como de costume, passei a acariciar-lhe os seus belíssimos cabelos loiros, e ela, como a ler meus pensamentos, pôs-se a me fazer afagos e foi, com carinho, pousando a sua cabecinha em meu peito. Abraçamo-nos e, por alguns minutos, permanecemos, assim, em silêncio. De repente, Victória diz:
- Oh, os nossos corações estão falando!
O que dizem? - perguntei-lhe. Ela cheia de entusiasmo e emoção, fala:
- O meu diz: Amo Vovó! O teu: Amo Vica!
Olhei-a e percebi que seus olhinhos azuis estavam brilhantes como as estrelas em
noites de lua cheia. Euforicamente, exclamava:
- Lindos!... Lindos!...
Abracei-a novamente e ela sorrindo, disse-me:
- Vovó, não há nada de especial nisso. Não poderia ser diferente, pois somos uma só, duas almas gêmeas! Amor e empatia não precisam de muitos gestos e de explicações, são quereres livres e espontâneos.
|
|