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Há dias, sonho e desejo escrever;
porém, minhas idéias não afloram.
Meu eu preocupa-se
com a colheita que aspiro fazer,
pois o meu dia-a-dia
está levando-me a divagações.
Tento, tento, mas meus pensamentos
não se organizam.
Continuam a vagar...
Quero produzir, não devo parar.
A palavra escrita é o corpo;
os pensamentos, a alma.
Escrita, plantação; idéias, sementes;
produção, colheita...
Pobre alma a minha
que pouco tem colhido!
Que pragas estão a contaminar
a minha lavoura?
Serão preocupações, medos ou revolta
contra os atos violentos e desumanos
que estão a acontecer
todos os dias, no nosso país e no mundo.
Ou será que a fonte literária
que regava essa terra secou?
Haverá outros fatores também? Talvez...
Minha aspiração levou-me a perceber
que, em terras gaúchas,
as plantas do amor, do respeito,
da solidariedade e da ética
florescem viçosas e aromatizadas,
indicando um novo amanhã.
E eu, neste momento, outrora,
sem perspectivas de uma boa colheita,
vejo brotar novas idéias
e as transbordo repleta de esperança.
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