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Você que traduz os sonhos masculinos
Que transmite paz na tormenta da vida
E perfuma o leito quando se deita
Nasceu fêmea, mas se fez mulher.
Você que compreende a alma
Que percebe a mente
Que penetra no coração do homem
Conhece bem o vestir-se de Mulher
Você que percorre caminhos
Transpõe obstáculos
E aquece o vazio
Sabe ser e sentir-se mulher
Você que inunda os desertos
Fecunda o solo infértil
E faz poesia no amanhecer
Considere-se Mulher
Não se interrompa em nenhum momento
Nem quando uma fêmea insaciável
Cruzar com perigo seu caminho
Ainda que pintada de bondosa
Usando garras pra driblar ingênuos
Ou repartindo corpo por onde passa...
Tenha compaixão destas infelizes
São feirantes de carinho
Que nada sabem de amar
São mariposas buscando mel
Disfarçando em sussurros e gemidos
o seu preço de entregar o fel
O fel, sim, o que depois nauseia
Faz mal ao corpo e a mente que permeia
Aquele que engana e mascara
Os carentes e sedentos de ternura
Que ao se sentirem sós
Desembocam neste túnel enganoso
Levedando sua carência
Nas garras da banalidade
Entregando-se ao fácil
Por não se saberem capazes
Por não se conhecerem o bastante
Pra descobrirem sua fonte de amor
Mulher!... Alma Feminina!
Altar de amor e de grandiosidade!
Levante sua taça
Entoe seu hino sagrado
Reparta o pão da verdade
E Desfaça o que o desamor vem fazendo
Interrompa o ciclo da bestialidade
da deusa kali que apenas suga
Banaliza e vulgariza
O que foi feito pra fazer feliz
e traga de volta a sua Lillith
Sacerdotisa do Amor-Mulher
Aquela que entende o amor
Que vivencia a sexualidade
Como deusa sábia e terna
Que complementa sua busca
Na busca de sua asa PAR
Esta sabe que sua energia sexual
Vai além, muito além do prazer
Vai aos recônditos da alma
Tornando o corpo seu serviçal apenas
O que manifesta e até emociona
mas que não declama o grande poema
Que eleva a pele à condição de altar
E eleva a fêmea à soberania de MULHER!
Rainha e mãe do amor
Sagrada criatura do eterno
Do transcendente e imortal Amor!
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