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Viajante de mística ventura
Descubro luzes na escuridão
Deparo-me com a encosta da montanha
que me esperava vazia e incompleta
Num longo e sereno bocejo
De um quase adormecer sozinho...
Velejei mares sombrios,
Desertos tórridos,
Praias intermináveis... Até chegar neste vale
Ao sopé da montanha
Pés cansados
Braços caídos
Coração ansioso
Peito aberto pro recomeçar
Guardo na alma a saudade do que não fui
E na mente, imagens, não desenhadas...
Apenas sonhadas
Quero fazer dormir a tristeza da espera
E despertar a vontade do agora que renasce
Pra me receber inteira
Me encontro fora do tempo
Na chegada da última quimera
Na verdade de uma longa espera
Que fez morada em todas as canções
Que fez canção em todas as esperas
Canto em mim mesmo a sonata do outono
E percebo tons que nunca ouvi
Linguagens que jamais traduzi
Porque estava ausente do entardecer
E agora te vejo,
Montanha azul, cercada de luzes sutis
Braços abertos amorosos,
Num gesto forte de bem-querer
Quero abraçar-te com os lábios
E beijar-te com os braços
Como fazem lua e sol... Praia e mar
Mas meu corpo é pequeno
Não sabe se agigantar
Senão pelo impulso da minha alma
Que se reveste da poesia total
E te enlaça na ternura imortal
Cheguei, minha montanha!!!
Trouxe braçadas de flores do deserto
conchas dos mares descobertos
E muita harmonia guardada em versos
Só pra me deitar aos teus pés
E quando a noite enfim chegar
Quero morar nos seus recônditos
Cantarolar os meus desencantos
Pra me sentir embalada no teu colo
Ouvindo tua cantiga de ninar
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