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Ivone Zuppo

   

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Alma de Criança
© Ivone Zuppo

     

 

Caminhando por entre as folhas secas
de um tempo que parecia outonal
Viajava em doces lembranças
Me vestindo de melancolia
Era bom sentir-me assim
Fazia bem o recordar
Ainda que doesse uma saudade
Ainda que soprasse um vento triste

Guardo nas mãos a poesia de ontem
Que me fez semear brisas leves
Em corações e mentes vazios
Trago nos olhos imagens poéticas
De uma visão que buscou a beleza
ainda que muitas vezes escondida
Percorro os caminhos das lembranças
Me vestindo da mágica que me tocou
E enquanto me procuro nas paisagens
Reencontro emoções pueris
gestos espontâneos... compartilhados
de quem não conhecia medidas
se entregava por inteiro
com a inocência do sonhador
Porque sentir era tudo que sabia
Poetar era o que mais queria
Viajando peregrina nas estrelas
Como só um mago do amor o faria
Era cedo... era manhã...era inteireza
De mente, coração e alma
Era tão somente o amor se amando
Pois nem conceito de amor conhecia
Era a liberdade rasgando universos
Desfraldando a plenitude do meu ser
Era eu?...se fosse, aqui não estaria
Pois teria trazido pro agora
mais do que lembranças
Teria comigo ainda aquela criança
Que nasceu pra liberdade do amor
Mas que de tanto se perder em buscas
Tornou-se apenas o retrato do que foi
Ainda que vagueie muitas vezes
Nas árvores em que subo pra sonhar
Nas músicas que canto em cirandas
Nas festas que preparo pra ternura
Nos carrosséis de emoções ainda puras
Nas estrelas em que escrevo meus versos
Que nem são poemas... é a poesia
Falando em mim
alma criança permanente 

    

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