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Já trôpego, troco os meus passos na subida
E procuro encontrar o rumo, que na vida já não sei,
Porque afogo as minhas mágoas na bebida,
Tentando encontrar nela, o que antes, na vida não encontrei.
Sentimentos de abandono, tantas mágoas, solidão,
Algumas já esquecidas, bem dentro de mim, lá no fundo,
Afogadas na bebida, naquele pouco, que eu hoje já bebi ...
Sinto o corpo tão tremente, e a dor e o frio, já me gelam o coração,
E na vida, já nada mais me interessa, senão apenas, esta rua eu subir,
Porque agora só desejo, de novo voltar a beber, para esquecer o que sofri.
Passa gente devagar, outras, até já vão correndo,
Não querendo p’ra mim olhar, ou então me empurrando,
Sem ao menos perguntarem, se estarei vivo, ou doente...
E, se ainda sinto na alma, amargura, com isto mais estou sofrendo,
Minhas mágoas, minhas dores, a bebida de novo já está soltando,
E por isso, tropeçando, ou caindo, tento ainda ir em frente.
Velho, cansado, doente, já farto de tanto na vida andar,
Sem ninguém me dar a mão, ou até comigo se preocupar,
Deixo, em cada passo que dou, uma parte de mim, bem dolorida...
Só querendo, para sempre, deixar de sofrer esta vida tão sofrida,
Para finalmente ter o descanso, que tanto está em tardar,
E que só na morte, espero agora, na verdade esse descanso encontrar.
E assim, tropegamente, eu vou subindo, esta subida,
com estranhos passos de dança ... no anda, que pára e desanda desta vida,
com três passos mais a frente e outros dois, mais atrás,
num mundo que está rodando... rodando... e rodando...
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