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José Rabaça Gaspar

   

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A Mar Poema para um título.
© José Rabaça Gaspar

     

 

Quero pôr este nome no meu LIVRO
LIVRO que não escrevi mas já pari
e talvez nem O venha a escrever…

mas aí já fica escrito
como um grito
que este planeta onde vivo e onde habito
e todos, desde há muito, chamam TERRA
e agora apelidam de “planeta azul”!..
este planeta não é terra
É MAR
e não é masculino, é feminino
A MAR
um planeta azul e lindo visto do espaço
como nos dizem aqueles que o percorreram…
e É
AMAR.

a TERRA é pouca demais e é escura, é negra
vista do espaço
a TERRA é demasiado pouca em superfície
(um quinto do globo? um quarto?)
para conter e barrar
para parar
a mole imensa d’ÁGUA que a rodeia
e corre das fontes dos rios e da chuva
para
o MAR
A MAR…
AMAR.

o planeta que chamamos TERRA, A TERRA
É
A MAR.

quem o diz contra toda a tradição?
contra todos os dicionários e acordos 
ortográficos?
sou eu O POETA e os meus olhos de POETA.
é a exigência das devidas proporções…

a TERRA é mais água e é A MAR
até o teu corpo é mais água e é AMAR!

apesar de ser firme a terra firme
apesar de se estender em planícies e 
desertos
apesar de se erguer em montes, em serras
e montanhas temerosas
temíveis e terríveis!
e, apesar,
de o seu peso esmagar…
bastam sete palmos de terra sete
punhados de terra para cobrir
um simples mortal que se crê grande
personagem presidente ministro deputado
professor médico engenheiro… pensador
artista…

nada pode deter a fúria o poder 
que tem o MAR
que tem A MAR
que tem AMAR…

Zé d’A Mar
(Ciclo de A MAR)
sem data na ficha registado em 25/05/90
– in «A MAR», de José d’A MAR, publicado pela e-libro, em Abril de 2003 
   

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