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José Rabaça Gaspar

   

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Vai semente...
© José Rabaça Gaspar

     

 

não sei o que quero
o que procuro
sei que quero
que procuro
o quê?
quem?
aonde ?
quando ?
porquê ?
e como?
isso não perguntem.
não o sei. porra!
só sei que tenho procurado...
demais, talvez!
de mais noutro lugar
ou noutro tempo
ou nos outros.
mas afinal EU só existo
AQUI e AGORA
aqui e agora que já não existem porque
já não são
nem agora nem aqui
no momento em que o disse ou escrevi!...
quando o disse ou escrevi
já é diferente o tempo e o lugar
do tempo e do lugar em que o pensei
e o papel que era branco 
já está sujo de tinta 
está pintado
e o ventre que era virgem 
foi rasgado foi
desvirginado 
e o pensamento que saiu de mim 
como semente 
vai voar, correr o mundo,
veloz como o pensar
passar montes vales campos planícies... e 
o mar...
talvez A MAR
e Lá
nesse imenso ventre que é
A MAR
talvez vá encontrar lugar fecundo
onde a semente invisível
que ninguém viu nem vê
vá desabrochar 
como as ervas que crescem na calçada
ou nas paredes do quintal
ou até‚ nas fendas do cimento
ou mesmo entre as pedras
ou nas pedras, mesmo nelas,
ou noutro qualquer lugar
fecundo
deste imenso pequeno planeta que é
A MAR

                                                            
zé que foi, 90 maio 24/25

(Ciclo de A MAR)
– in «A MAR», de José d’A MAR, publicado pela e-libro, em Abril de 2003
   

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