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José Rabaça Gaspar

   

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Décima à Ilha do Pessegueiro
© José Rabaça Gaspar

     

 

                                  SENTEI-ME UM DIA A OLHAR
                                  A ILHA DO PESSEGUEIRO
                                  TODA CERCADA DE MAR
                                  TODA ENVOLTA EM NEVOEIRO

Rodeada de mil sonhos
De mil lendas quais sinais
Que indicam os portais
Do mistério que nós somos
O que seremos!? Que fomos!?...
Sentei-me e via só mar...
A Ilha ali a vogar
Nas ondas que vêm, vão...
Era sonho? Era ilusão?
Sentei-me um dia a olhar...

Bem ali na minha frente
Abriam-se os horizontes
De mil nascentes, mil fontes
Que seguiam a poente
Da minha alma doente...
Guiada por um marinheiro
Voava esbelto veleiro
Que correra sete Mundos
E vinda dos mares profundos
A Ilha do Pessegueiro.

Que segredos, que Magia?
Quanto mistério escondido
Neste espaço ali perdido
Transformado numa ilha
Tão pequena, mas que brilha
Qual ara, pedra de altar
À doce luz do luar...
Como um castelo fantasma
Cheio de lendas e fadas
Toda cercada de mar...

São mil lendas, mil sinais
Que abarcam todo o universo
E nos vão dizendo em verso
Segredos que os nossos pais
Já deixaram nos anais
Nas lendas do Mundo inteiro
Como segredo primeiro
Na tradição transmitida
Que desvenda toda a vida
Toda envolta em nevoeiro
(Ciclo de A ILHA, do ciclo de A MAR)

– in A ILHA, do ciclo de A MAR, publicado in e-libro.net em AgoSto de 2003 

    

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