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Bendito o momento em que morre o desencanto
Redentor o firmamento que acolhe meu pranto
Malsão o pensamento em que não houver tanto
Amor de paixão e paz
Pois é na fartura desta terra que a tudo acolhe
Que brotam multiplicadas as cores
As flores e as notas cantantes
Das almas, que mesmo carentes,
Fazem em si fenecer a sombra
Expulsando a dúvida, ao viverem contentes
Com o poder natural, verdadeiro continente
Do bem que no amor se encontra
E eu, mero espectador dos fatos,
Finjo desconhecer que no destino não há recatos
Mas que as algias, de nostálgica dolência,
Também padecem, quando, pouco a pouco,
De fato fenecem
Perpetrando nos céus
Das infindáveis noites que se sucedem
A luz que me reconforta,
A esperança que se renova a cada inspiração
Que à alma e ao peito conduz o ar renovador
Oh bendito prazer de sonhar e amar com ternura!
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