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Abstenho-me de ser
Admitindo, em vão e febril idílio,
A parcial veleidade da matéria
Quando, ao rever o mesmo céu
Que velou meus sonhos,
Sinto-me de fato absorto
Fora de mim mesmo
Infundindo-me gradualmente
Nos mistérios etéreos do infinito
Mas agora, acompanha-me o tempo
Tal qual sombra que levita,
Em seu próprio interior
E também no meu.
E assim, ensimesmado no cárcere do ego,
Sem as mui tangentes e ferinas
Ranhuras da própria sina
À mesma aceito e me entrego,
Talvez incondicionalmente.
Mas sei, abstive-me de ser.
E agora, o que me resta
Deste tempo que vivi
Dos dias que contei
Dos momentos que esqueci?
Encerra-se em meu peito
A abstração que das horas decorre,
Apavorado, pareço tremer,
Para suspirar, livre da estranheza,
Entranhada em espectral anulação,
Em mim mesmo.
Calo, e nesta espera que demora,
Pois, por inédito que seja,
De si mesmo abstrai-se o tempo
Todas as vezes em que,
Me esqueço de mim!
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