|
|
Pedir para o poeta poder partir,
remete-o à dor incestuosa da auto-traição.
Poetas não se traem, e sim, ensinam a sonhar,
e sonhando amam.
Rabiscam no papel sentimentos idealizados
pelo lirismo musicável das palavras a que também amam.
Inebriam-se com os sonhos e desejos que lhes vêm à alma,
mas transigem com a própria dor, buscando na incoerência das
idéias alucinadas, encontro fugazes com seu amor fogoso.
Os poetas não partem deste mundo, mas sim,
partem-se em palavras, para parir a dor pressentida,
pré-julgada, preparada pelo mesmo destino que também os desatina.
Podem até mesmo pecar, e o fazem tão pouco,
pois mesmo movidos por paixões, vêm a vida passar,
desejando que de si próprios jamais se desprenda
este jeito de ser que do belo buscam ter.
Com certeza,
nasci poeta para poder viver.
|
|