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Kelen Cristine

   

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A última letra
© Kelen Cristine

     

 

Há pouco
estava eu tão pequena,
vendo um mundo lá de baixo.
Todos tinham pena.
Eu, tentando ser tão serena.

Não me entendiam os grandes.
Os pequenos, com desdém e arrogância,
Queriam ser adultos, astutos mais do que eu.
E eu dizia amém.
Compadeci-me com tudo,
Gritando fundo.
Eu não quero o espaço de ninguém.
Eu tinha que gostar deste mundo
e não virar um moribundo.
Ter o que era meu e fazer o bem.

Ah! Mas quanto escalei da terra,
quantas lágrimas escorreram da minha tela,
quanta dor suspirou,
mas, os anjos sopravam para outros:
Ninguém tira o que é dela.
Quantas vezes duvidei!

Como eu em minha mente,
sempre sorridente, sonhei...
Sonhei coisas belas
e as feias apaguei.
Quantas cores que não existiam criei.
Quantas notas posso desenhar na alma
com um toque da minha emoção,
estando agitada ou calma.

Quanto mais da vida posso ter ainda?
Tenho facilidade de passar para o papel dourado,
branco ou enfeitiçado.
Quantas pessoas possam ler e ousar,
usando o encanto que posso dar,
sentir e delirar, sorrir ou chorar?

Mas, para ler minhas escrituras,
a única coisa que peço é
poder respirar na última letra do texto
e no final, aproveitando nosso puro AR,
Saber AMAR a cada recomeço, 
PORQUE A VIDA NÃO TEM PREÇO. 

    

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