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Nosso universo é flor
que se guardou
para desabrochar
na primavera
das águas
para as quais nascemos.
Se nossas pétalas
escolheram
esconder o melhor
dos perfumes,
para não entregá-lo
ao pântano
em que agonizava a
liberdade
de cantar ou gritar
para ser bom e justo,
é que nos cabia
substituí-lo por um jardim
onde plantar
nossas sementes.
Mesmo em segredo,
e em sombrio perigo,
cavamos límpidos poços
e cultivamos canteiros
em que haveremos de brotar.
Agora, na espera
que brilha,
continuamos a existir
na promessa da flor
que se anuncia pronta
para perfumar.
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