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Meu corpo à noite molha-se de luz e escrevo
vertendo transparentes claras borboletas,
minhas abelhas de ouro, o orvalho dos botões
das flores de meus sonhos que rola sem ruído.
Meu corpo à noite repousa de aborrecimentos
e adormece qual vaga-lume na relva
que embalam as cantatas dos grilos gentis
quando a Lua reluz acima de meu leito.
Meu corpo à noite é uma boneca de biscuit
com longos cílios negros, lábios que são frutos
e dentes que à no escuro parecem safiras.
Visto pela janela ele é somente estátua
de todas as promessas de uma mulher nua.
Meu corpo à noite é meu silêncio e meus suspiros.
Lia-Rosa Reuse
Do livro ( Francês/Português )
Paysages de Mon Corps – Paisagens do Meu Corpo
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