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Abri portas sob os celeiros
cozidos de sal.
Extrai desse cheiro de pó,
o fel de crinas de ninhos empalhados.
Recebi dos deuses como óbolo,
a patena, a loucura,
e uma suave amargura de levitar
o corpo dos desejos sobre a arena.
Entre as feras de mim,
deixei-me a parir
e entre crias, açucenas,
sob o quintal e o mural,
grafitei-me para o anoitecer.
Na redoma da pele,
ascultei na alma os oráculos,
e sangrou-me com água escura
um gélido vento dos tabernáculos,
entre nuances de sombras,
dança de caracóis, de arlequins.
E, assim, cumpriu-se!...
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