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Lilian Reinhardt

   

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TELHURAS
© Lilian Reinhardt

     

 

Das alvuras do sem fim,
onde as telhuras do azulado céu encontram
no horizonte o morro esfumado
do Anhangava,
o olhar com sua pipa de rabo
balouçante ao vento,
singra o espaço, entre as saias
azuis do tempo,
do uniforme marinho do colégio,
do cheiro de manjerona da galinha
caipira cozinhando na panela de ferro,
da tentação das águas do poço
dos fundos de casa aos quinze anos.
Nas telhuras do mesmo sem fim,
o bangalô de largas táboas
de madeira de pinho de cor creme,
de janelas verde musgo e pés altos
por onde trafegavam os ventos...
traz um olor de queimadas,
de uma chuva de cinzas, 
sob o chiado da porta do fogão de lenha,
e o bramir enferrujado dos portões
do cemitério da colina.

    

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