|
|
Entre as dobras e os véus
da branca toalha,
sob a chama do pincel queimante,
nesta redoma amante,
Cézanne pinta a lírica das maçãs do mundo.
Uma a uma as tinge todas as manhãs,
com suas ásperas mãos
de sangue e romãs
e assim elas repousam em modelo cativo,
sob o grunhido das vozes da selva,
no grande atelier da alma,
seu bosque nativo,
no delírio entre luzes e cores,
marchetadas, também, pela alvura
dos lençóis das telas.
Escarlates, púrpurinas, indóceis,
recolhidas, atrevidas, indómitas,
chorosas ou meninas,
elas são apenas as maçãs de Cézanne,
leveza e densidade em líricas nacarinas.
Ele as modela com as tinturas do mundo,
a sua Natureza Morta é a vida! Ame!
|
|