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Lilian Reinhardt

   

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ESTA CANÇÃO
© Lilian Reinhardt

     

 

...nenhum artífice conhece toda a Arte...
(instruções de Ptah-hotep)


Canto sob o papel de arroz.
Entre as mechas dessas cortinas
incenso o meu cio 
sob o tabernáculo da neblina.
Tudo me é espuma aos sentidos.
Acústica de silêncios, os alaridos,
porque o sol daquele que não te conhece 
está no ocaso,
mas o do que te conhece
brilha incessantemente,
porque Hórus abre os seus olhos.
Sob os véus, 
no colo sagrado de Maat,
grita um bando de íbis 
brancos sob a face irrevelada.
O santuário pode estar
envolto em trevas
sob a pastagem da erva do tempo,
mas na Terra o fôlego é pira!

    

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