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Minha casa-alma me habita
e me percorre no mistério dessas colinas.
Quando a noite chega, recolhe-me...
e assim sou recolhida pelo sudário da neblina.
Na escuridão dessa viagem, só os ôcos silêncios
fazem a liturgia,
enquanto meus pés descalços sentem o torpor
das folhas salpicadas que se escrevem.
Mas, quando venta empoeiram-se os manuscritos e lavam-se
sob o orvalho.
Nesta casa-alma de prenhez e tormentos sem atalhos,
os pássaros fazem aconchego entre os esconderijos
das ramagens.
Minha casa-alma, à noite, é assim este estranho ninho,
coagulante de suores,
de verdes dores, selvagens!
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