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Quando um bocado de vinho é servido
cantam as pitonisas seus levedos
e salmodiam fervuras e lassidão.
Recendem os vasos de alabastros,
sob a curvatura de cedro da abóboda,
o sumo de pomares.
Toda alma sonha incensos
e tem fome de sua códea de pão.
A partilha pode ser apenas um tênue fio que
a aranha traça
quando o fôlego acende o sorvo
velando a graça,
e as sombras se esbatem em óleo e peixe
sob a vidraça das mãos...
Toda ceia apenas cumpre o legado de um deus
que se partilha e se faz tangível
sob a aspereza do fragmento,
como a luz em Rembrandt é pensamento,
em Goya é estilhaço,
e o silêncio e a poesia de Caeiro,
em Pessoa é ovelha, apascentamento...
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