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Lilian Reinhardt

   

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ALCOVA
© Lilian Reinhardt

     

 

Há quantos séculos dormes tu, óh ânfora?
e tantos outros, já disse Khayyam
terás que dormir...
tu que te guardas ao mêdo
no tempo das rosas
e entre os canteiros áridos
de bocas intumescidas de larvas
teces a urdidura entre os grãos.
Rios e tempos de sóis se embriagam,
se embevecem , se fartam, 
se furtam uns e outros ,
e mesmo assim tu, ânfora,
guardas tuas medidas de azeite, linho,
e zênite!
- Porque o sono que te habita
na alcova sobre a terra,
te habitará dentro e ao regaço dela,
como te habita o silêncio,
o vale e o ventre de tuas mortes,
como te habita a boca sequiosa
que geme sobre o cálice,
enquanto tu dormes e
rasgam-se caminhos...
Mas, a aurora sedenta 
cinzelou-te os lírios, o enrêdo,
o mêdo e os teus cabelos! 

    

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