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Meus olhos acendem minhas noites peregrinas,
as estrelas estilhaçam em filigranas
sob o vitral da abóboda.
Minha alma emborca a taça,
desprega-se do corpo e evola,
solta-se pelos densos lençóis de neblina,
fugitiva deambula pelas retículas,
selvagem campeia troteando entre os cismos,
os outeiros, os beirais, dessas colinas...
Minha alma fugidia, vagante,
caminha forasteira, errante,
enquanto a noite oculta sua nomenclatura.
Fervem as veias, os terminais,
os ossos crispam-se, contraem-se
até as armaduras do corpo.
As teias imprimem seus lancinantes traços,
Orfeu cinzela em cordas de sangue, finos laços,
minha alma é apenas ave andarilha,
nessas noites de esvoaçantes trilhas,
entre as linhas solitárias que desenham
o perfil do meu esfumado rosto, secreta ilha!
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