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Enquanto perambulo sonâmbula,
Sem lar, sem chão, sem norte,
Tu ergues da indiferença a flâmula,
Como faca afiada de corte.
Enquanto me esparramo,
Me encolho e me contesto,
Tu és lago bem plano,
Sem se importar com o resto.
Para cada lágrima minha
Tens um tipo de sorriso,
E o último sonho que eu tinha,
Feriste de morte, preciso.
Coração enterrado na neve,
Olhar vazio de emoção,
Olha para trás, de leve,
Teu rastro de destruição.
Repara aos menos uma vez
Na minha alma moribunda,
Na minha infinita palidez,
Na minha tristeza profunda...
É tudo obra tua.
Termina, pois, o serviço:
Derrama meu sangue na rua,
Acaba logo com isso!
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