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Somos nada que queremos,
Ex-prisioneiros, massacrados,
Perseguidos pelo medo,
Pelo Poder sufocados.
Sem audácias, sem conquistas,
Nossa vida é um barco
Por maus ventos navegado.
Somos a foto do cadáver
Já pelo tempo esquecido,
As folhas alfarrábicas
Do livro amarelecido.
O novo não nos procura,
O passado nos acompanha
Pelas ruas da amargura.
Nossa alma é aleijada
Por tantos açoites ferida,
Nossa casa é assombrada
Pelas mortas dores sofridas.
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