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Boca que engarrafa o tempo
Quando nada diz,
Que eu tanto desejo,
E que às vezes penso,
Se abrirá por um triz.
Boca que me acaricia
Somente com silêncios
Agulhando o peito,
E que não reage à minha
Coleção de argumentos.
Tua apatia dilacera a alma,
Rasgando o espaço tenso,
Insuportavelmente imenso
Que nos separa.
Boca que ri dos meus espelhos,
Despejou neve em minha vida pouca,
E que agora deve estar preenchendo
A fome e a carência de outra boca.
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