|
|
Do alto do rochedo vislumbro o ocaso
O sol escondendo-se como meu coração
Que sofre hoje tamanha solidão...
Barcos a passarem ao largo,distante
Com suas luzes a oscilarem, vasquejantes.
Sinto-me como um barco
Partindo para lugar algum
Sem porto para ancorar
Como se o próprio tempo
Estivesse no timão dessa nau.
Sendo ele, dono e senhor absoluto
Dessa fragata, perdida, a deriva
Neste imenso mar de ilusão
em que hoje perdesse meu coração...
Por vagas brancas, imensas, fico
Desesperadamente a perder-me e achar-me,
Sem ter um cais para aportar
Sem ver o horizonte do hoje ou amanhã
Tempo! Oh senhor dos bálsamos e lenitivos...
Traga para este coração sofrido
Belos dias de sol, com luzes e sons e coloridos,
A trazer flores, sem espinhos, para encantar
Minh’alma, onde hoje não encontro sentido.
|
|