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Ao ver a fúria do mar
A bater contra o rochedo
Quase consigo escutar
A voz d’Amália em segredo
E as ondas querem cantar
As ondas não têm medo
A noite fica acordada
Porque a saudade não pensa
Que debaixo da almofada
Dorme aquela voz imensa
E canta a noite inspirada
E não lhe pede licença
Quando o vento não se cala
E levanta o pó do chão
Julgo ouvir a voz da Amália
Que vem cantando o malhão
O vento tenta imitá-la
E não lhe pede perdão
Fico sentada à janela
De mão dada ao meu jardim
E às vezes oiço a voz dela
A cantar dentro de mim
E p’ra poder merecê-la
Vou cantar até ao fim
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