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Manuela Neves

   

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NEREIDA
© Manuela Neves

     

 

Vogando nas ondas 
de som e de espaço, 
todos podem ver 
e sentir o abraço 
que eu passo 
em volta de mim mesma. 

É como um laço de espuma. 
É contorno de duende. 
Raiva que gritam meus passos 
por não ficar abraçada 
nos teus braços. 

Oh!... 
Como desejava ser 
doce nereida, 
e algemar-te no frio verde 
do meu corpo de espuma. 

Teu coração será mar de solidão. 
Tuas lágrimas, espelhos do teu ser, 
morrendo de sede 
do corpo da mulher que desejas ter. 

Esquece o desânimo. 
Sê firme como o NÃO de um Homem. 

Minha pele será lume. 
Meus beijos o sopro do vento. 
Meus braços algas de enleio. 
Serás então, 
apenas existir... 

Diz não!... 
E eu ficarei 
nereida verde 
de corpo de espuma. 

    

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