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Partiremos sós, sem nada, sem ninguém.
De corpo desnudo partiremos p’ró deserto,
Pró além!
Viveremos d’amor e água fresca.
Morreremos de fome.
Comeremos cactos, pedras, tudo o que nos surja.
Fugiremos sem ter de quem se fuja,
Sem ninguém que nos guie e que nos tome.
Seremos então iguais à fera besta,
O sangue ebulirá em cada artéria
Imploraremos um gole d’água fresca
E responder-nos-à só a miséria…
Sobre a toalha d’areia negra
O sol raiará p’ra nos mostrar
Tudo o que temos e tudo o que nos resta.
Teremos febre,
Escaldar-nos-à a testa!...
Alucinados, lábios frementes… rasgados,
Amaldiçoaremos o céu e as torrentes!
Partiremos sós, sem nada, sem ninguém.
De corpo desnudo, morreremos no deserto
Partindo p’ró além!...
Menção Honrosa
Jogos Florais ICL – Instituto Comercial de Lisboa – 1964
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