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Se tu viesses,
quando os olhos se me cerram de desejo
e os meus braços, pobres e nus,
se estendem para ti...
Se tu viesses,
quando a minha boca a rir
parece vermelho cravo a abrir...
Se tu viesses...
Há hora das fadigas mortas,
e os teus passos
passando a muitas portas
viessem para aqui?...
Então sim!
Seria a loucura partilhada.
Seria a busca do teu corpo e o meu.
A febre das nossas mãos tocando-se,
num doido anseio dos meus braços
a abraçar-te.
Seria corrente de lava
queimando nossos corpos
abrasados de suor...
E a tua fronte linda,
calma, morna e clara,
uma tempestade!...
Verias o meu sol nascer, nascente,
no doce do teu mel
a beijar meus olhos, minha face,
minha boca em flor.
Teus olhos de chamas ardentes,
seriam duas correntes
a prenderem-me e a perder-me.
Lágrimas são pérolas...
As lágrimas de beber
que grito quando te não vejo,
são lagos de tristeza,
de sonho só sonhado.
Se tu viesses ver-me hoje à noitinha?...
Ao amanhecer, a cotovia cantaria a rir.
E como dois mágicos cansados,
fechariamos os olhos p'ra dormir.
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