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Manuela Neves

   

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Se Tu Viesses
© Manuela Neves

     

 

Se tu viesses, 
quando os olhos se me cerram de desejo 
e os meus braços, pobres e nus, 
se estendem para ti... 

Se tu viesses, 
quando a minha boca a rir 
parece vermelho cravo a abrir... 

Se tu viesses... 
Há hora das fadigas mortas, 
e os teus passos 
passando a muitas portas 
viessem para aqui?... 

Então sim! 
Seria a loucura partilhada. 
Seria a busca do teu corpo e o meu. 
A febre das nossas mãos tocando-se, 
num doido anseio dos meus braços 
a abraçar-te. 

Seria corrente de lava 
queimando nossos corpos 
abrasados de suor... 
E a tua fronte linda, 
calma, morna e clara, 
uma tempestade!... 

Verias o meu sol nascer, nascente, 
no doce do teu mel 
a beijar meus olhos, minha face, 
minha boca em flor. 

Teus olhos de chamas ardentes, 
seriam duas correntes 
a prenderem-me e a perder-me. 

Lágrimas são pérolas... 
As lágrimas de beber 
que grito quando te não vejo, 
são lagos de tristeza, 
de sonho só sonhado. 

Se tu viesses ver-me hoje à noitinha?... 
Ao amanhecer, a cotovia cantaria a rir. 
E como dois mágicos cansados, 
fechariamos os olhos p'ra dormir. 

    

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