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Levando uma caixa de engraxate
Victor sai chutando as águas do mar.
Da cabeça de poeta ouve-se o tinir:
Uma moeda, duas moedas,
Quero muitas moedas
Para mamãe presentear.
Véspera do dia das mães
No comércio, tudo se acotovela.
Do menino quase não se ouve
A voz que enfraquece:
Olhe o engraxate! Moço, olhe o...
Ninguém o vê. A figura é singela.
Assim, o esqueletinho ambulante caminha.
Agora, chutando as pedras do pensamento:
O meu dinheirinho não dá
Como o presente posso comprar?
Mas, naquele momento, um senhor lhe diz:
Não queres, menino, meu calçado lustrar?
Diante da esperança que brotava
O garoto se ajoelhou com doçura.
— Será que posso encontrar ainda
Um buquê de rosas bem lindas?
— E por que só agora, criança?
Não haverá flores nesta noite escura!
— Ah! Se eu pudesse uma bijuteria comprar...
— Toma este anel com pedra de esmeralda!
— Não posso pagar, seu moço, tal riqueza.
O sonho é uma flor dourada
Por raios de sol que logo passam.
Assim — disse o homem — com sutileza.
Sem nada compreender
O menino agradece, feliz.
Leva consigo o presente para a mãe
Que decepcionada, imediatamente lhe diz:
Esta jóia, meu filho, tu roubaste.
Em vez de rosa, me deste espinho.
Chorando a criança corre até à praia,
Porque não consegue a dor suportar.
Foge para esquecer da mãe a ofensa.
E, joga-se depois, numa onda
Que o esconde, bem longe...
Na magia das águas do mar.
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