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No leito de delírio apaga-me o vigor.
O que farei para salvar-me a vida
que amortece na força pérfida
de uma vil serpente?
A dor invade-me profundo o corpo...
Vejo-me nas labaredas do inferno
contorcendo, gemendo e gritando;
de suor todo me queimando
pela conseqüência da maldita droga.
Apodreceram-me os ossos na frieza
da carne comida pelo verme do sofrimento.
Olheiras roxas é o colorido da face
que se torna esquelética a cada momento.
Treme-me o corpo e no ranger dos dentes,
retalho os lábios com brutalidade e loucura.
Vendo o sangue jorrar das estraçalhadas veias,
às vezes, gargalho no meio da amargura!...
Ninguém se apieda de mim, e com certeza,
considera-me um farrapo da podre lama.
Não sabe que fere aqui, no íntimo,
a dor mais cruel a indiferença humana!
Sim! Sou culpado. O mundo me condena.
Mas quem me iludira oferecendo de graça
uma tragada de maconha, uma picada no braço,
foi o traficante que livre está na cidade
arrastando a fraca mocidade para o abismo
onde muitos se perdem e morrem no fracasso!...
O vendedor de ilusões, p.77.
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