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Ilusão, mar coalhado pelo germe da loucura!
Tuas águas vêm de uma fonte cava e doentia.
Abriga-te nas órbitas uma estrela, cujo brilho é baço.
E acorrentas febre e lampejo, ó suprema fantasia.
Quisera ter me livrado de tu’asquerosa clausura.
Mas dominaste-me. Agora, com olhos apagados,
Eis aqui tua presa, desprezando a liberdade,
E me acorrentando em ti, ó fonte de desejos malogrados!
Ouve-me do fundo do cérebro, o crepitar das correntes.
És tu, arrastando-me para o lamaçal de mentiras.
Não consigo libertar-me desta dor que me explode
E, dentro desse afã, gostosamente tu te respiras.
Desde que te procurei na sombra repouso,
Para cultuar do amor a esplêndida poesia
Minhas carnes abriram-se, e tu penetraste
Prendendo-me no teu deleite, cruel fantasia.
No resmungar do vento, voaram meus prazeres
Bailando atrás de ti, amarga e terrível quimera!
Estreitei-te o malogro para esconder-te o fracasso
Que vicejou no encanto da frustrada espera.
Imagem do delírio, gargalhando enrosca-me o corpo.
Tal serpente não ouve da vítima o grito surdo e vão.
Embora morrendo na languidez do veneno suplico
Ao pesadelo, ao terror: liberta-me os sentidos, ó ilusão!
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