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Pai, fala-me de ti! Quero ouvir-te:
Tuas experiências vividas, teus devaneios...
De sabedoria, teus lábios estão cheios.
Como sempre, tu mostras que nesta vida,
Há muito que se aprender. Eu preciso ainda
De cada palavra tua, de teu abraço...
Ah, pai! Oito décadas tu trazes contigo!...
Vejo tanta beleza nos teus cabelos branquinhos!
Nas rugas do teu rosto, há expressa ternura.
Sim! Tu olhas com amor toda criatura.
Eu me lembro quando tu me dizias:
Minha menina, põe nas tuas poesias
Bastante amor! Jamais quero que mintas.
O encanto se faz com a verdade.
Não registres aquilo que há de
Talvez te envergonhar, perante Deus.
Pai, eu guardei os ensinamentos teus!...
No entanto, minha sabedoria é pouca
E não se encaixa, nesta cabecinha oca.
Como sempre, pai, eu te procuro...
De ti, quero saber o segredo:
Para amar e não sofrer no desvelo
Que se perde com o passar do tempo.
Disseste-me para não amar em vão.
E colocar dentro do meu coração,
A incerteza do bem que fiz.
Mas, eu não te entendi, pai,
Não existe ninguém assim.
E eu só me vejo, dentro de mim.
Mesmo ferida, não mostres tua dor!...
Enxuga as lágrimas, sejam de quem for.
Ah, pai!...Isto eu entendi. Verei se consigo
Guardar tua sabedoria, aqui, comigo.
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