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Nasci em Catalão (Goiás), na década de 50. Sozinha, aprendi a ler e escrever. Meu pai me trancava como se eu fosse uma jóia rara. Com doze anos de idade, pisei pela primeira vez, numa escola. Dona Isis, a professora, me deu oportunidade de aprender Matemática em um mês. “Se quiser ficar na segunda série, terá que saber as quatro operações.” Sempre odiei os números. Mas venci o desafio. Comecei e conclui o ensino fundamental em seis anos. O segundo grau, em um dia (Supletivo). Uma amiga me inscreveu nas disciplinas referentes ao curso. Fiz as provas e passei em todas. Cursei Letras Modernas numa Universidade particular de Anápolis. Isto graças a uma bolsa de estudos que consegui pelo MEC.
Com a economia de um ano de trabalho, editei e enterrei meu primeiro livro: “Castelo Destruído.” Isso porque quase ninguém do meio em que vivia, valorizava literatura. Então, perdi o incentivo. Dediquei minha vida a educação; e não tive mais tempo para olhar dentro de mim. De vez em quando, rabiscava versos por encomenda. Certa vez, uma colega me contou sua história e disse: “Empresta-me a sua cabeça para imortalizar minha desgraça.” Essa frase inflou-se no meu cérebro. Daí, escrevi o romance “Império dos Desejos.” Logo, venderam-se todos os livros. Sem me preocupar com reedição, me empolguei, escrevendo outro romance: “O Vendedor de Ilusões”. Finalmente, tirei a mordaça e levantei a cabeça contra aqueles que me dizem: “Literatura não enche barriga.” Assim, também liberta do excesso de trabalho que, por trinta anos me estigmatizou, acabo de escrever “Filha do Cerrado.” A partir de agora, cultivarei meus sonhos.
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