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Há entre nós esta questão de urgência
nas mãos que roçam a pele e arranham
além da superfície, onde se entranham
sentidos, desejos, estranhos apetites;
e nas bocas que se sugam, estupefatas,
como se pela vez primeira descobrissem
no gozo e na vida, prazeres sem limites.
Há entre nós esta questão singular
que ignora o tempo, convenções, tabus
e nos expõe, inexplicavelmente nus,
diante um do outro, sem nenhum pudor;
corpo e alma integrados e entregues,
cúmplices silentes de uma mesma trama:
explosivo sentimento, que eu chamo amor.
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