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Sou Presidente da Academia de Letras do meu quintal.
Nesse cargo relevante, recebo sempre gente importante.
Costumo promover recitais, para convidados especiais.
São pessoas ilustres, doutores, professores...
Faço tudo com esmero, pois tenho muito prestígio.
Alguns exageram, dizem que sou um prodígio.
Não abro mão do cerimonial.
Fico atenta até o final.
Só participam colegas consagrados, extremamente admirados.
Quem são eles? São todos eternizados.
Drummond, por exemplo, aparece sempre, discretamente.
Observa tudo afavelmente, mas é reticente...
Comparece, também, um legendário chileno.
O adorável revolucionário Pablo Neruda.
Homem decidido, fascinante.
Simplesmente, um grande!
Dentre os presentes, a feminista portuguesa Florbela Espanca.
Notória por seus sentimentos contraditórios.
Protagonista de amores sofridos, mal resolvidos.
Amores reprimidos.
O “Poetinha”, praticamente não sai de lá...
Não me canso de ouvir suas estórias, ele tem uma memória!
Bem, acabou de chegar o maravilhoso Jobim.
Enfim, somente ele conhece o tom.
E agora pergunto:
Não será um magnífico sarau?
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