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A árvore abandonada
acena
obscena
seus galhos secos
tortos, retorcidos
ossos ressequidos
ao sol escaldante
e à lua minguante
de seiva.
A árvore que um dia
foi verde e viva
copada e reluzente
parada obrigatória
de pássaros e insetos
pede socorro a mim
que já nem posso mais
cuidar de mim.
Quem dera pudesse eu
voltar o tempo e salvar a árvore
que o vento teima em açoitar
ao sol e ao luar.
Torná-la brilhante e bela
como outrora a primavera.
Retornariam os pássaros
com seus gritos
estilhaçando sons
ao sol ralado e coado
através de suas folhas
de um insondável tom
exatamente verde.
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