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Olho minhas mãos morenas
antes pequenas.
Hoje, lembram raízes
resistentes, persistentes
e carregam cicatrizes
de espanto, no encanto
das rotas percorridas.
Olho-as com carinho:
dedos curtos, unhas bonitas
bem definidas
veias salientes, latejantes
intumescidas.
São herança de meu pai
estas veias sombreadas
teias espraiadas, azuladas
tecidas com fluido seminal.
Migraram e marcaram
com a força da genética
a descendência de quem
um dia, em puro enleio,
sonhou um filho varão,
que não veio.
Um filho
com estas mesmas mãos
brincantes e morenas
capazes de melodias.
Mãos musicistas.
Mãos de artista.
Minhas mãos morenas
melodiaram o cotidiano.
Sem piano.
Minhas mãos morenas
criaram filhos e poemas.
Sua palmas fortes e flexíveis
modularam em oitavas infinitas
palavras poéticas e homens sensíveis.
Esta marca migrante, mutante
para onde irá?
Quem herdará seu código secreto
presença marcante
em meu DNA?
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