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Solitário Tietê
negro, denso, profundo,
embora a multidão que o cerca
está sozinho no mundo.
Seu leito de lixo e lama é pudico
tem vergonha de mostrar-se
nas camadas de limo apodrecido.
Solitário Tietê
que não mais reflete o céu
em suas águas paulistanas.
Limpo e puro na nascente
corre cantando
até afogar-se
em poluentes.
Eis que por magia
da fada das águas doces,
clara como o dia,
retoma novamente sua personalidade
e subindo o planalto vai semeando cidades.
Alarga-se, volteia-se
e segue murmurando feliz
ao sol dourado, ao céu azul, à lua cheia.
Em águas limpas e onduladas
carrega em si a vida renovada.
Renasce o Tietê, forte e valente!
Em leito largo as águas criadeiras,
correm cantando uma canção molhada
e abraçam o Paraná na ribanceira
com seus braços de água transparente.
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