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O pardo horizonte ficou claro
Em clareza sem vontade de ver
A nódoa caída em linho raro
Que se acreditava não poder
Ai como ficou claro, muito claro
O que os sentidos queriam esconder
A água pestilenta, empestada
Num caudal mesmo ao lado a correr
Triste essência e oca, fé no nada
Corre veloz, voraz, desvirtuada
Que não vive e não deixa viver
E os olhos postos só obedecem
Ao coração, à alma que padecem
Teimosamente fingindo não ver
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